Já ouviu falar de matrícula do imóvel mas nunca entendeu direito pra que ela serve? Veja por que esse documento é o mais importante de toda a compra de um imóvel.
Se tem um documento que merece atenção máxima antes de comprar um imóvel, é a matrícula. Ela funciona como uma espécie de registro de identidade do bem, aberta no cartório de registro de imóveis competente no momento em que o imóvel é criado (por exemplo, quando um terreno é desmembrado ou um prédio é construído), e vai acumulando, ao longo do tempo, todas as movimentações relevantes daquele imóvel.
Na matrícula constam informações como a localização exata do imóvel, sua área, quem são os proprietários atuais e anteriores, e principalmente, os chamados ônus e gravames: hipotecas, penhoras, usufrutos, indisponibilidades judiciais e qualquer outra restrição que possa pesar sobre aquele bem. É justamente por reunir esse histórico completo que a matrícula é considerada o documento mais confiável pra saber a real situação de um imóvel.
Uma matrícula de alguns meses atrás pode não refletir mais a realidade do imóvel hoje. Por isso, antes de fechar qualquer negócio, vale pedir uma certidão de matrícula atualizada, emitida há pouco tempo, direto no cartório de registro de imóveis onde o bem está registrado. Essa certidão está disponível mediante solicitação, e qualquer pessoa pode pedir, já que é um registro público.
Vale entender a diferença entre esses três termos, que às vezes se confundem. A escritura é o documento que formaliza a venda, lavrado em cartório de notas. O registro é o ato de levar essa escritura (ou o contrato de financiamento) até o cartório de registro de imóveis. E a matrícula é o arquivo onde esse registro é anotado, junto com todo o histórico anterior do imóvel. Sem o registro na matrícula, a transferência de propriedade não se completa oficialmente.
Se a matrícula mostrar uma pendência, como uma hipoteca ainda ativa ou uma penhora, isso não significa necessariamente que o negócio está inviável, mas exige atenção redobrada. Muitas vezes é possível negociar a quitação dessas pendências como condição da venda, mas isso precisa ficar claro e formalizado antes de qualquer pagamento ser feito.
Alguns imóveis, principalmente em áreas mais antigas ou informais, podem não ter matrícula individualizada, ou podem estar registrados de forma incompleta. Comprar um imóvel nessa situação traz riscos maiores, porque a segurança jurídica da compra fica reduzida. Vale redobrar a cautela e buscar orientação especializada nesses casos.
Ler uma matrícula exige alguma familiaridade com os termos técnicos usados em cartório. Vale levar esse documento pra um advogado especializado em direito imobiliário antes de assinar qualquer proposta de compra.
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